terça-feira, 20 de outubro de 2015

UMA PARA O ENGRAXATE

o equilíbrio é mantido pelas lesmas escalando os
rochedos de Santa Mônica;
sorte é descer a Avenida Western
e ouvir as garotas de uma casa
de massagem te chamando, “Oi Doçura!”
o milagre é ter 5 mulheres apaixonadas
por você aos 55 anos,
e a virtude é que você é capaz de amar
apenas uma delas.
a dádiva é ter uma filha mais delicada
que você, com uma risada mais pura
que a sua.
a paz surge ao dirigir um
fusca azul 67 pelas ruas como um
adolescente, com o rádio ligado no Que Amor De
Apresentador, sentindo o sol, sentindo o ronco firme
do motor retificado
enquanto você costura o trânsito.
a graça é ser capaz de gostar de rock,
música clássica, jazz...
qualquer coisa que contenha o vigor original do
prazer.

e a possibilidade que retorna,
é a profunda e depressiva melancolia
você estirado sobre você
cercado por paredes de guilhotina
furioso com o som do telefone
ou com os passos de qualquer um passando;
mas a outra possibilidade –
a alegre euforia que sempre se segue –
faz a garota do caixa do
supermercado parecer
com a Marilyn
com a Jackie antes que tirassem dela seu amante de Harvard
com a garota do colégio que todos
nós seguimos até em casa.

há isso que faz com que você acredite
em algo mais além da morte:
alguém num carro chegando
numa rua estreita demais,
e ele ou ela desvia para deixar você
passar, ou o velho lutador Beau Jack
engraxando sapatos
após estourar todas suas contas bancárias
com festas
com mulheres
com parasitas,
cantarolando, ofegando sobre o couro,
manejando os trapos
olhando pro alto e dizendo:
“que porra, eu tive isso por um
tempo. esse tempo compensa o
atual.”

às vezes sou amargo
mas quase sempre o sabor foi
doce. acontece que tive
medo de dizer. é tipo
quando sua mulher diz,
“fala que me ama,” e
você não consegue.

se você me vir sorrindo em
meu fusca azul
acelerando no sinal amarelo
dirigindo direto pro sol
estarei preso nas
garras de uma
vida louca
pensando em trapezistas
em anões com grandes charutos
em um inverno russo no início dos anos 40
em Chopin e sua mala com terra da Polônia
em uma velha garçonete me trazendo uma
xícara de café a mais e rindo
enquanto faz isso.

aprecio o seu melhor
mais do que você imagina.
as outras pessoas não contam
apesar delas terem dedos e cabeças
e algumas delas olhares
e muitas delas pernas
e todas elas
sonhos bons e ruins
e um caminho para trilhar.

a justiça está em todo lugar e funciona
e as metralhadoras e as rãs
e as cercas vivas assim irão te
falar.

poema: Charles Bukowski
tradução: Fernando Koproski
do livro “Maldito deus arrancando esses poemas de minha cabeça” (7Letras)
MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p
AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p
ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR
http://www.livrariascuritiba.com.br/atras-das-linhas-inimigas-de-meu-amor-aut-parana-lv220048/p



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

KOPROSKI fala sobre BUKOWSKI

O poeta, letrista e tradutor Fernando Koproski fala sobre a nova antologia poética que organizou e traduziu de Charles Bukowski

No Brasil, conhecemos bastante o contista e o romancista Charles Bukowski, mas muito pouco do poeta. Essa foi uma das razões, também, para que passasse a traduzi-lo? Como conheceu a poesia o escritor?

FK: Essa afirmação de que o ‘Bukowski poeta é muito pouco conhecido’ hoje, felizmente, já não condiz com a realidade. Nos últimos 10 anos, editorialmente falando, as coisas mudaram e pra melhor. Depois da publicação das antologias poéticas que organizei e traduzi do Charles Bukowski: “ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM (7Letras, 2005)” e “AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA (7Letras, 2012)”, a publicação da coletânea “Os 25 melhores poemas de Bukowski” (tradução póstuma do Jorge Wanderley) e do livro “Open all night”, publicado dividido em 4 volumes pela catarinense Spectro Editora, o ‘Bukowski poeta’ tem sido divulgado com mais amplitude no mercado editorial brasileiro e o interesse por sua obra só tem aumentado. Respondendo à segunda pergunta, conheci a obra poética do Charles Bukowski no ano 2000, quando morava na Inglaterra, estudando literatura e língua inglesa, e lavando pratos num restaurante londrino. E a identificação foi imediata.

Qual a diferença, para você, entre a prosa e poesia de Bukowski?

FK: Quando me perguntam isso, sempre me lembro de uma declaração do autor que fala o seguinte: “poesia é a maneira mais curta, mais bonita e mais explosiva de dizer”. Essa afirmação é uma chave de interpretação simples e direta para a poética desse autor que de uma maneira muito particular, soube tratar em versos de temas imperecíveis, tais como as vicissitudes dos relacionamentos amorosos, a infância sofrida nas mãos de um pai opressivo e de uma mão ausente, o percurso tortuoso de se perceber um escritor e poeta num mundo descartável, fútil e frívolo onde os grandes valores perdem valor a olhos vistos diariamente, a constatação do lento e gradual esvaziamento de quem se atira cegamente em busca das oportunidades alardeadas pelo dito “sonho americano”, sonho este que se revela falível aos que dividem a difícil realidade da classe trabalhadora. Enfim, é uma poesia intensa, liricamente provocativa, abrangente e diversificada que vê formas de beleza incomuns em lugares inusitados. E em virtude da singularidade desse olhar é que a poesia bukowskiana encontra grande expressividade e receptividade junto ao público leitor.

Como foi a recepção dos livros que traduziu? Há público para a poesia de Bukowski no nosso restrito mercado de poesia?

FK: Sim, há um público crescente, cada vez maior de pessoas interessadas na poesia do velho Buk. Posso dizer isso, levando em conta a ótima receptividade que tiveram as 2 antologias poéticas que organizei e traduzi desse autor. Em parte em função disso, e muito em virtude da grande qualidade do material literário que garimpei nesses últimos anos, é que estou lançando agora a minha terceira antologia com poemas do Bukowski. “MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)” é o título desse novo trabalho que apresenta poemas selecionados de 16 livros do autor.

Geralmente o lado mais “festivo”, digamos, da obra de Bukowski é enfatizado: as bebedeiras, os relacionamentos amorosos sem compromisso, etc. Mas a obra também fala sobre as dificuldade de um homem que não quer – ou não pôde – viver o sonho americano. Que aspecto da obra de Bukowski você acha mais significativo?

FK: Realmente o tema dos relacionamentos amorosos, ou o das aventuras etílicas, são os temas mais populares da obra bukowskiana, certamente, por serem temáticas que foram muito bem apresentadas em sua obra em prosa. Essas temáticas também comparecem com força e beleza na poesia do Bukowski. Mas outras temáticas me cativam também, tais como as considerações sobre a natureza humana, a forma ríspida e lírica com que o “velho” trata da desesperança, inquietude, considerações sobre o envelhecimento e morte, a percepção do desperdício, não só do desperdício físico de nossas vidas que são diariamente mastigadas e trituradas pela rotina de um trabalho insatisfatório, mas também a do desperdício mental e espiritual de conduzir uma existência, como se fosse um inventário de perdas, onde o sofrimento não implica necessariamente num crescimento mas apenas num longo e sistemático esvaziamento do ser humano. A poesia quando surge dessas instâncias é bela, perigosa e implacável.

Por que acha que Bukowski atrai a leitura de jovens? É apenas a linguagem acessível? O que há de mais atrativo na prosa e poesia do autor?

FK: A intensidade, concisão e beleza natural dos versos bukowskianos certamente atrai a atenção do leitor. Isso tudo aliado à coloquialidade, fruto da simplicidade no uso na linguagem extremamente comunicativa, faz com que o autor crie uma poética que fala a todos os públicos, e não somente àquele público letrado, que é tradicionalmente considerado como “público de poesia”.

No Brasil, apesar de muito lido, não há estudos sobre Bukowski na universidade. Tem alguma ideia do porquê isso ocorre?

FK: Isso pode ter acontecido no passado. Mas hoje a realidade talvez já seja diferente. Ano passado, soube que minhas traduções do Bukowski já fazem parte do programa de leitura sobre poesia norte-americana numa disciplina da USP. Assim é que os estudos começam...

Ainda há muito material poético para ser traduzido. Tem planos de fazer novas traduções?

FK: Nesse momento, através da bela iniciativa da editora 7Letras estou realizando esse sonho que era o de publicar uma trilogia de antologias poéticas. No primeiro semestre desse ano a 7Letras já reeditou as 2 primeiras antologias, o “ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM” e o “AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA”) e agora em Setembro lançou o terceiro volume da trilogia, o “MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA”. Feito isso, posso dizer que nesses últimos 15 anos, passei um propício “pente fino” em toda a obra poética publicada do autor, que consiste em mais de 30 livros de poesia, e nesse percurso tive a satisfação e a felicidade de traduzir e conviver com grandes poemas, os quais apresento em minhas 3 antologias poéticas. Espero que o leitor curta essa experiência.

Uma curiosidade. Como você negociou os direitos dos poemas. Quem cuida do espólio? O acervo ainda pertence à Black Sparrow, de John Martin?

FK: Tenho a sorte de ser assessorado por ótimos profissionais na editora 7Letras, e por ter um ótimo diálogo junto a agentes literários brasileiros e americanos. Em conjunto, tomamos decisões, as quais viabilizaram a publicação tanto dessas 3 antologias poéticas do Bukowski, quanto da antologia poética “ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR” do Leonard Cohen, que é o outro autor com quem já trabalhei de forma satisfatória em meus estudos de tradução.
MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p
AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p


terça-feira, 13 de outubro de 2015

O CORAÇÃO RINDO

a sua vida é a sua vida.
não deixe ela levar porrada até uma submissão
repulsiva.
esteja atento.
existem saídas.
há luz em algum lugar.
pode não ser muita luz mas
ela vence a
escuridão.
esteja atento.
os deuses te oferecerão
oportunidades.
conheça-as, agarre-as.
você não pode vencer a morte mas
você pode vencer a morte
em vida,
às vezes.
e quanto mais você
aprender a fazer isso,
mais luz
haverá.
a sua vida é a sua vida.
conheça ela enquanto a
tem.
você é maravilhoso
os deuses esperam pra se deliciar
com
você.

Poema: Charles Bukowski
Tradução: Fernando Koproski do livro “Maldito deus arrancando esses poemas de minha cabeça” (7Letras, 2015)
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Koproski fecha trilogia de traduções de Bukowski POESIA

Nova antologia reúne meio século de poemas de Charles Bukowski

Escritor e poeta Fernando Koproski traduziu e organizou terceiro volume com a obra do “velho safado”

14h19
Sandro Moser
GAZETA DO POVO - CADERNO G

A editora carioca 7 Letras acaba de lançar uma nova antologia de poemas de Charles Bukowski (1920–1994): “Maldito Deus Arrancando Esses Poemas de Minha Cabeça”.

O livro é organizado pelo escritor e tradutor curitibano Fernando Koproski a partir de diversas obras do “velho safado”.

Koproski usou como referência alguns dos primeiros poemas de Buk publicados no livro “Burning in Water, Drowning in Flame: Selected Poems 1955–1973” (de 1974), percorreu a obra do autor de “Barfly – Condenados pelo Vício” e “Factotum – Sem Destino”, até chegar à obra póstuma “The Continual Condition” (2009).

“Maldito Deus...” é o terceiro volume da poesia de Bukowski traduzido por Koproski e lançado pela 7 Letras.
Em 2005 saiu “Essa Loucura Roubada Que Não Desejo a Ninguém a Não Ser a Mim Mesmo Amém” (2005) e, em 2012, “Amor É Tudo Que Nós Dissemos Que Não Era”.
Bukowski é mais conhecido pelos romances que escreveu (embora tenha produzido mais de uma dúzia de antologias de versos).

Sua poesia – intensa e erótica, carregada de honestidade e drama – ganha espaço no mercado editorial brasileiro graças ao trabalho de Koproski e à chancela da editora 7Letras.

Nas palavas do tradutor curitibano em entrevista à Gazeta do Povo quando lançou “Amor É Tudo Que Nós Dissemos Que Não Era”: “Os fãs de Bukowski, ou pessoas que não se interessam necessariamente por poesia, podem apreciar seus poemas por sua abrangência. Não é preciso estar versado em poesia para compreendê-los, e como trata de temas cotidianos, acaba falando mais às pessoas”.

A trinca de livros organizado por Koproski compõem agora um panorama consistente da poesia de Bukowski.

LIVRO
“Maldito Deus Arrancando Esses Poemas de Minha Cabeça”
Charles Bukowski. Tradução de Fernando Koproski. Editora 7 Letras, 300 pp, R$ 53.

http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/nova-antologia-reune-meio-seculo-de-poemas-de-charles-bukowski-a4dt4pqlrpxbhbfi89bnso6ik
MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p
AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p
Koproski fecha trilogia de traduções de Bukowski POESIA
Nova antologia reúne meio século de poemas de Bukowski
Escritor e poeta Fernando Koproski traduziu e organizou terceiro volume com a obra do velho safado
·         28/09/2015
·         14h19
 Sandro Moser

A editora carioca 7 Letras lançou uma nova antologia de poemas de Charles Bukowski (1920-1994): Maldito Deus Arrancando Esses Poemas de Minha Cabeça. O livro é organizado pelo escritor e tradutor Fernando Koproski a partir a partir de diversas obras do “velho safado” , desde alguns dos primeiros poemas de Buk publicados no livro Burning in Water, Drowning in Flame: Selected Poems 1955–1973 (1974) até a obra póstuma The Continual Condition (2009). Este é o terceiro volume da poesia de Bukowski traduzido por Koproski e lançado pela 7 Letras: em 2005 saiu Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém (2005) e em 2012, Amor é tudo que nós dissemos que não era.

Serviço:
Maldito Deus Arrancando Esses Poemas de Minha Cabeça
Charles Bukowski, tradução Fernando Koproski, 7 Letras, 300 p, R$ 53.
MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p
AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Ainda sinto a loucura avançando com pressa dentro de mim, mas ainda não despejei a palavra do jeito que eu queria, o tigre ainda está em cima de mim. Vou morrer com esse filho da puta nas costas, mas fiz ele lutar. E se houver alguém lá fora que seja louco o bastante pra querer ser escritor, eu diria vá em frente, cuspa no olho do sol, bata nessas teclas, essa é a melhor loucura em curso, os séculos precisam de ajuda, a espécie implora por luz e aposta e risada. Dê isso a eles. Há palavras o bastante para todos nós.

fragmento do poema “Minha loucura” de Charles Bukowski
tradução: Fernando Koproski
do livro MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA (7Letras, 2015)
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p
AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

E o aniversariante do dia é Leonard Cohen, que hoje faz 81 anos! Tive o prazer de organizar, selecionar e traduzir os poemas da Antologia Poética ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR (7Letras) http://www.livrariascuritiba.com.br/atras-das-linhas-inimigas-de-meu-amor-aut-parana-lv220048/p que foi o primeiro livro publicado no Brasil desse grande poeta-músico-compositor-romancista canadense. E aqui, um poema desse livro pra homenagem os seus 81!

NAS MINHAS MÃOS

Nas minhas mãos
seus seios pequenos
são essas barriguinhas pra cima
dos arfantes pardais caídos ao chão.

Onde quer que você passe
Ouço o som de asas fechando
de asas caindo.

Estou sem fala
porque você caiu ao meu lado
porque seus cílios
são as vértebras de pequeninos e frágeis animais.

Receio o momento
em que seus lábios
comecem a me chamar de caçador.

Quando você me chamar pertinho
para dizer
que seu corpo não é bonito
Quero intimar
os olhos e os lábios ocultos
de pedra e luz e água
para testemunhar contra você.

Quero que eles
libertem
de seus cofres mais secretos
a trêmula rima de seu rosto.

Quando você me chamar pertinho
para dizer
que seu corpo não é bonito
Quero que meu corpo e minhas mãos
se tornem piscinas
para você se mirar e sorrir.

Poema: Leonard Cohen
Tradução: Fernando Koproski
do livro “ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR” (7 Letras)
http://www.livrariascuritiba.com.br/atras-das-linhas-inimigas-de-meu-amor-aut-parana-lv220048/p

domingo, 20 de setembro de 2015

É com alegria que vejo as minhas traduções do Leonard Cohen do livro ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR http://www.livrariascuritiba.com.br/atras-das-linhas-inimigas-de-meu-amor-aut-parana-lv220048/p entorpecendo corações e mentes. 

No evento "Trovadores do Miocárdio" em SP, meu amigo Mario Bortolotto desempenhou muito bem na minha tradução "Fim de minha vida na arte". Confira o fim do poema abaixo... Agradecimentos ao Marião e ao organizador do evento Eduardo Beu, que utilizou as minhas traduções, e possibilitou a noite de música e poesia! 

Ps. abaixo o video e a fotinha do livro ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR do Leonard Cohen com o texto utilizado...
https://www.facebook.com/ana.katia.925/videos/10153525253976826/

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

No Jornal Relevo desse mês uma bela crítica de Daniel Osiecki sobre minha trilogia "Um poeta deve morrer", composta pelos livros "Nunca seremos tão felizes como agora", "Retrato do artista quando primavera" e "Retrato do amor quando verão, outono e inverno" (todos pela Editora 7Letras)

http://issuu.com/jornalrelevo/docs/relevo_-_setembro_de_2015/c/scxttv2

terça-feira, 15 de setembro de 2015

E OS LINKS PARA OS 3 LIVROS ESTÃO AQUI:
http://www.livrariascuritiba.com.br/maldito-deus-arrancando-esses-poemas-de-minha-cabeca-aut-paranaense-lv386681/p
http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-a-nao-ser-a-mim-mesmo-amem-7-letras-lv314866/p
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Crítica: "Maldito deus arrancando esses poemas da minha cabeça", de Charles Bukowski


Publicado em em 11/09/2015 às 09:01:47 - Atualizado em 11/09/2015 às 09:18:15

Perfil de Jonatan Silva

Jonatan Silva é formado em Jornalismo e apaixonado por literatura e cinema. Escreve sobre o hábito neurótico e pouco ortodoxo de ler.

A poesia surgiu de repente para Bukowski (1920 - 1994) após ficar internado em um hospital, à beira da morte, em Los Angeles. Naquele tempo os excessos já lhe eram cotidianos e, reza a lenda, que depois de receber uma transfusão sanguínea sua percepção mudou e foi invadido por uma calmaria que jamais experimentado - e que não deve ter durado tanto assim. Entre o real e o abstrato, Bukowski se tornou um dos poetas norte-americanos mais influentes do pós-guerra.

No Brasil, ele é cult, revelador, uma espécie de guru da transgressão. A publicação de sua obra por aqui ainda é restrita e por isso coletâneas como Maldito deus arrancando esses poemas da minha cabeça (7Letras, 300 págs., R$ 53,00) são tão importantes. Organizado e traduzido pelo poeta curitibano Fernando Koproski, o livro - junto com Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém (2005) e Amor é tudo que nós dissemos que não era (2012) - fecha a trilogia do Velho Safado. "Era um sonho antigo", comentou Koproski, primeiro brasileiro a verter o canadense Leonard Cohen para o português.

Os poemas estão divididos em quatro partes: “Nossos olhos transaram”, “A Maldição”, “As Nossas vidas um buquê de sangue” e “O Súbito clarão da palavra” - cada uma dedicada a um tema, começando pelo sexo & mulheres, indo à metalinguagem, depois Buk nos dá uma pitada de sua ideia de isolamento & angústia para então fechar com a sua visão ácida de uma sociedade consumista e egoísta. Apesar da divisão, o livro pode ser aberto aleatoriamente, como um oráculo e qualquer poema pode ser lido sem que nenhuma ordem seja infringida.

Poeta do cotidiano

Nascido na Alemanha com o nome de Henrich Karl Bukowski, não demorou muito para que simplificasse sua própria identidade e passasse a ser chamado de Charles. Dispensando todas as pompas da literatura, Bukowski sempre foi um defensor do cotidiano – quanto mais comum, mais 'medíocre', mais poético. A prova dos nove está em “correio ardente”, “uma para o engraxate”, ou o libidinoso “a esposa fiel”.

As musas do Velho Buk são como ele: gente comum, do povo. De quando em quando, ele cria uma figura imaginária, uma paixão que só existe sob seus próprios olhos. “poema para Brigitte Bardot” é uma homenagem sem resposta, muda; já “de vez em quando” é endereçado a uma mulher anônima que passou pelo poeta em uma rua. Não há rodeio, tudo é muito direto, conciso e sem concessões.

O tradutor deve viver

Koproski é um artesão da palavra e, sem dúvida, responsável por colocar parte dos poemas de Bukowski ao alcance do leitor brasileiro. Desde seu primeiro lançamento como tradutor do poeta norte-americano, Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém, o curitibano tem trabalhado na voz do próprio autor, como se a poesia tivesse sido escrita em português.

Para compor o terceiro volume de poesia inédita do autor de Mulheres, Koproski garimpou livros póstumos ou ainda não visitados por ele enquanto. Obras raras por aqui – como Open all night: new poems (2000) ou Come on in! (2006) – têm seus representantes tupiniquins para deleite de quem ainda descobre o Buk ou já lhe é um velho conhecido.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Cometi a imprudência novamente! Sei que já sou reincidente... portanto, os amigos que me desculpem a intromissão mas preciso convocar vcs a brindar comigo à nova antologia poética do CHARLES BUKOWSKI! “MALDITO DEUS ARRANCANDO ESSES POEMAS DE MINHA CABEÇA”  é a terceira antologia poética que organizo e traduzo, selecionando 60 poemas imbatíveis de 16 livros do velho BUK. Assim como as 2 primeiras antologias, o livro sai pela grande e indispensável Editora 7Letras. E agora, feliz da vida, eu os convoco... e levanto o copo!

Ps. o livro pode ser adquirido
b) comigo pelo email fkoproski@yahoo.com.br (pra quem quiser uma dedicatória do amigo...)
c) ou em uma das lojas das Livrarias Curitiba! 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O meu amigo e músico/compositor Carlos Machado está lançando seu novo CD. “Bárbara” é o título desse disco, onde tive a satisfação de ver 9 letras/poemas de minha autoria, agora musicadas pelo Carlos. A capa do CD é do artista plástico Marco Beccari e o show de lançamento é na Suíça em Janeiro/2016. É vida que segue!

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

CANÇÃO COM OBTURAÇÃO

algo ficou fora da validade
os cavalos atrás da carruagem
toda a paz durante a viagem
mais um truque sujo da paisagem

você devia ter mais cuidado
estragou algo no meu peito
meu coração ficou cariado
agora ele não bate mais direito

para consertar meu coração
tive que fazer uma obturação
arrancar fora aquele pedaço
onde você podia ter seu espaço

tanto que sorrio meio de lado
agora ando assim pra tudo
inevitável, depois de obturado
o meu coração ficou mudo

se não puder falar de você
o que esse coração vai fazer?
pensar nessa altura da vida
em começar outra profissão?

ou quem sabe digerir comida
expelir ar ou uma outra função?
isso não é vida, o meu coração
não tem estômago pra ser pulmão

meu amor, não quero passar
a página batendo na mesma tecla
mas quando você vai perceber
que ele só queria falar de você

e não falar de amor ou ser poeta?

Fernando Koproski

poema do livro “Retrato do artista quando primavera” (7Letras)
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-artista-quando-primavera-7-letras-lv341627/p
http://www.livrariascuritiba.com.br/retrato-do-amor-quando-verao-outono-e-inverno-7-letras-lv341626/p
http://www.livrariascuritiba.com.br/nunca-seremos-tao-felizes-como-agora-7-letras-lv244140/p
http://www.livrariascuritiba.com.br/tudo-que-nao-sei-sobre-o-amor-aut-paranaense-lv181720/p

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

É hoje o lançamento da antologia em comemoração aos 5 anos do grande Jornal Relevo. Fico feliz em participar do livro com uma tradução do velho Buk, selecionada da minha antologia AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA (http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores-lv314864/p). E agradeço imensamente aos editores Daniel Zanella e Ricardo Pozzo. Vida longa ao Jornal! O livro “Antologia RelevO 5 anos” estará à venda no evento abaixo:
Lançamento
Antologia RelevO 5 anos
Vários autores, R$ 30
Quinta-feira (27) às 19h30, na Escola de Escrita (Riachuelo, 427, Centro) Curitiba - PR