segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Aleluia

Ouvi dizer que há um acorde secreto
Que Davi tocava pra ter Deus por perto,
Mas sem dúvida você não liga pra música.
Começa assim: a quarta, a quinta
Uma nota desce, outra sobe, sinta
Como o rei se complica compondo Aleluia!

Sua fé tinha força mas queria provas.
Quando viu ela no banho em águas novas
Você ficou alucinado com ela à luz da lua
Ela te deixou amarrado até os pelos
Rompeu seu reinado, cortou seus cabelos,
E arrancou dos teus lábios um Aleluia!

Você diz que falei o Nome em vão;
Qual seria o nome, eu não sei não.
Mas se eu soubesse, sério, qual é a tua?
Há uma luz nua em cada palavra;
Não importa qual escute quando falada,
A suja ou a sagrada Aleluia!

Fiz o melhor que pude; nem foi tanto.
Como não sabia sentir, aprendi tocando.
Só disse a verdade, não se iluda.
E ainda que tudo acabe em não,
Ficarei diante do Deus da Canção
Com nada mais nos lábios, só Aleluia!

poema e música: Leonard Cohen
tradução: Fernando Koproski

e a música gravada pelo Carlos Machado está aqui:
http://carlosmachado.bandcamp.com/track/aleluia

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


meus caros, há 3 poemas inéditos meus na revista Helena (pág. 60) editada pela Secretaria de Estado da Cultura/PR. Quem quiser adquirir, pode retirar seu exemplar gratuitamente na Biblioteca Pública no Paraná ou ler a versão virtual aqui: http://bit.ly/1i21h4b



quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013


uma vez perguntaram ao velho Buk o que ele procura num poema... e ele respondeu:

"O verso limpo e sólido que diz a que veio. E ele tem que ter um
pouco de sangue; ele tem que ter um pouco de humor; ele tem que
ter aquela coisa inominável que você sabe que está lá na hora em
que começa a ler".

BUKOWSKI POR KOPROSKI

do livro AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA (7 Letras)

http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores,product,LV314864,3406.aspx

e o livro ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM (7 Letras) também do Bukowski está aqui:

http://www.livrariascuritiba.com.br/essa-loucura-roubada-que-nao-desejo-a-ninguem-autores,product,LV314866,3406.aspx

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013


é sempre bom lembrar desse poema do velho Buk...

ENTÃO VOCÊ QUER SER ESCRITOR?

se não estiver explodindo em você
apesar de tudo,
não faça.
a não ser que saia espontâneo de seu
coração e de sua mente e de sua boca
e de suas entranhas,
não faça.
se você tiver que passar horas
encarando a tela do computador
ou encurvado sobre sua
máquina de escrever
procurando palavras,
não faça.
se você estiver fazendo isso por dinheiro ou
fama,
não faça.
se você estiver fazendo isso porque deseja
mulheres em sua cama,
não faça.
se você tiver que sentar ali e
reescrever mais uma vez e mais uma vez,
não faça.
se der o maior trabalho só de pensar em fazer,
não faça.
se você estiver tentando escrever como outra
pessoa,
esqueça.

(...)
a não ser que saia de
sua alma como um foguete,
a não ser que ficar parado te
leve à loucura ou
ao suicídio ou assassinato,
não faça.
a não ser que o sol dentro de você esteja
queimando suas vísceras,
não faça.

quando for realmente o momento,
e se você for escolhido,
isso irá acontecer por
conta própria e continuará acontecendo
até você morrer ou isso morrer em
você.
não há outro jeito.
e nunca houve outro.

fragmento do poema “então você quer ser escritor?” de Charles Bukowski
tradução: Fernando Koproski
do livro AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA  (7 Letras)


e o livro ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM (7 Letras) também do Bukowski está aqui:


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013


conselho de amigo para muitos jovens

Vá para o Tibete.
Viaje de camelo.
Leia a Bíblia.
Tinja de azul seus sapatos.
Deixe crescer a barba.
Dê a volta ao mundo numa canoa de papel.
Assine o The Saturday Evening Post.
Mastigue apenas com o lado esquerdo da boca.
Case com uma mulher sem uma perna e se barbeie com uma
navalha.
E entalhe seu nome no braço dela.

Escove os dentes com gasolina.
Durma o dia todo e suba em árvores à noite.
Seja um monge e beba chumbo grosso e cerveja.
Fique com a cabeça debaixo d’água e toque violino.
Faça a dança do ventre diante de velas cor-de-rosa.
Mate seu cão.
Candidate-se para prefeito.
More num barril.
Arrebente sua cabeça com um machado.
Plante tulipas na chuva.
Mas não escreva poesia.

Bukowski por Koproski
do livro AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores,product,LV314864,3406.aspx

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

de como um certo poeta fernando
resolveu dar uma de pessoa
mas algo acabou dando errado
surgiu na área um tal de marcos prado


um aqui, este ali, outro lá
sem contar aquele parado
não importa aonde olho há
um eu meu ao meu lado

tinha um dado a conselhos
sempre me deixava um caco
pensando que fosse meu espelho
foi o primeiro que fiz em pedaços

setenta e sete anos de azar
fácil então não tem sido
não param mais de falar
agora de novo no meu ouvido

meus eus, cá entre nós
vamos enfim chegar a um acordo
vocês, me deixem a sós
eu, viver vocês todos? nem morto!

Fernando Koproski
do livro MANUAL DE VER NUVENS

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


Nessa foto, o Leo Cohen e a Marianne na ilha grega de Hidra. Lá ele escreveu seu segundo romance “Beautiful Loosers” e muitas das melhores canções. Detalhe para a moda praia do verão de 1960...

CANÇÃO

A menina nua em prantos
está pensando em meu nome
volvendo e revolvendo
meu nome em bronze
com os mil dedos
de seu corpo
untando seus ombros
com a fragrância lembrada
de minha pele

Oh sou o general
de sua história
conduzindo cavalos majestosos
pelos campos
vestindo trajes de ouro
com o vento em meu torso
o sol na barriga

Possam os pássaros suaves
suaves como uma estória para seus olhos
proteger seu rosto
de meus inimigos
e os pássaros impuros
cujas asas afiadas
foram forjadas em mares metálicos
guardem seu quarto
de meus assassinos

E que a noite a trate com cuidado
as estrelas altas sustentem a palidez
de sua pele descoberta

E possa meu nome em bronze
sempre alcançar seus mil dedos
iluminar-se com suas lágrimas
até que eu esteja fixado como uma galáxia
e memorizado
em seus céus delicados e secretos.

poema do Leonard Cohen
tradução: Fernando Koproski
do livro ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR (7 Letras)



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

ÁCIDOS LÍRICOS

meu bem, desculpe estar
hoje um tanto diferente
se penso mar, lê-se amar
e assim continuamente

mas não sou eu o problema
são os ácidos líricos falando
dissolvendo, transformando
tudo que escrevo em poema

tentei mentir, usar essa energia
para algo útil mas infelizmente
essa é minha sina, minha cisma

só o que eu vivo vira poesia
os ácidos líricos não mentem
essa vida ou será rima ou minha ruína

Fernando Koproski

poema do livro NUNCA SEREMOS TÃO FELIZES COMO AGORA (7 Letras)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013


Lembro dessa noite como se fosse ontem. Eu, Thadeu e dos Casilleros del Diablo (safra de 1998). Enquanto o Renatão tocava o solo de Just like heaven, a gente ia abrindo a segunda garrafa de vinho, se abrindo em versos e fechando com Baudelaire... Aí surgiu esse texto que talvez não seja o que a ‘Teoria da tradução’ quer, mas é um drink nosso com Baudelaire...

estou bêbado
e nada mais importa
não sinto mais o peso das horas
nem da gravidade
mas continuo bêbado
de vinho, poesia e divindade

eu já estive aqui um dia
de cara com a coroa
o relógio dando corda
ao que o tempo não perdoa

estou bêbado
e nada mais importa
nem o Guimarães
e seu mar de Rosa
entre nebulosas Magalhães

a porta que leva
para fora do bar
já não está no mesmo lugar

poema do Charles Baudelaire
numa livre adaptação de Fernando Koproski e Thadeu Wojciechowski
mixado em algum lugar em 1999...



quinta-feira, 14 de novembro de 2013


Tendo 2 opções, ser professor de literatura ou lavar pratos, fique com a de lavar pratos. Talvez não pra salvar o mundo, mas para prejudicá-lo menos. Mas digamos que você tenha a vocação, você se reserva ao direito de escrever poesia, não do jeito que ela é ensinada, mas como a força ou a falta de força dessa poesia ao entrar e sair de seu íntimo conforme você vive a sua pequena opção.

Bukowski
em AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
antologia poética organizada e traduzida por Fernando Koproski
(7 Letras)

terça-feira, 12 de novembro de 2013


ABATIMENTO CARDÍACO

a cada dor que não demonstro
a cada egoísmo sem rosto
a cada vez mais meu coração
encolhe dentro do meu corpo

a cada pureza que eu sufoco
a cada delicadeza sem gosto
a cada vez mais meu coração
encolhe dentro do meu corpo

a cada risco que não corro
a cada amigo que não escolho
a cada vez mais meu coração
encolhe dentro do meu corpo

a cada lágrima rápida escondo
uma lágrima lenta no teu rosto
a cada suavidade que não ouço
a cada nuvem mais nuvem de osso

a cada abatimento cardíaco
meu coração mais parece rouco
amor vai parar no fundo do olho
meu coração no fundo do poço

amor, pra que me dar atenção?
pra que me deixar assim de novo?
você abrindo caminho a fogo,
a sonho louco em minha direção

a cada verso onde eu propor
falar de você ao falar de amor
meu coração ainda será pouco
pouco a pouco todo o meu corpo

Fernando Koproski

quinta-feira, 7 de novembro de 2013


... é melhor você não fazer nada do que fazer algo malfeito. Mas o problema é que os maus escritores tendem a ter autoconfiança, enquanto os bons tendem a ter insegurança. Então os maus escritores tendem a continuar escrevendo merda e fazendo o maior número possível de recitais para públicos esparsos. Esses públicos esparsos são compostos em sua maioria por outros maus escritores esperando a sua vez de começar, de subir lá e despejar aquilo tudo durante a próxima hora, a próxima semana, o próximo mês, o próximo momento qualquer. O clima nesses recitais é letal, sufocante, desfavorável à vida. Quando os fracassos se juntam num esforço de autocongratulação, isso só leva a um fracasso mais profundo e permanente. A multidão é o ponto de encontro dos mais fracos; a verdadeira criação é um ato solitário.

Bukowski por Koprowski
AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA

http://www.livrariascuritiba.com.br/amor-e-tudo-que-nos-dissemos-que-nao-era-autores,product,LV314864,3406.aspx

sexta-feira, 1 de novembro de 2013


SUZANNE

Suzanne te conduz
ao seu lugar perto do rio,
você pode ouvir os barcos passarem
pode passar a noite ao seu lado.
E você sabe que ela é meio louca
mas é por isso que você quer estar ali
e ela te oferece chá e laranjas
que vêm lá da China.
Bem quando você iria dizer
que não possui presentes para lhe dar,
ela te capta em seus movimentos de onda
e permite que o rio responda
que você sempre foi o seu amor.

E você deseja viajar ao seu lado,
você deseja viajar cegamente
e sabe que ela pode confiar em você
pois você tocou seu corpo perfeito
com a sua mente.

Jesus era um marinheiro
quando andou sobre as águas daquela maneira
e passou muito tempo vigiando
de uma distante torre de madeira
e quando ele teve a certeza
de que só os afogados podiam vê-lo
ele disse Que todos os homens sejam marinheiros
até que o mar os liberte,
mas ele mesmo se deixou arruinado
muito tempo antes que o céu se abrisse,
e quase humano, desconsolado,
afundou em sua sabedoria como uma rocha.

E você deseja viajar com ele,
você deseja viajar cegamente
e você pensa que talvez possa confiar nele
pois ele tocou o teu corpo perfeito
com a sua mente.

Suzanne toma a sua mão
e te conduz ao rio,
ela veste farrapos e plumas
das bancadas do Exército da Salvação.
O sol se lança como mel
em nossa senhora da enseada
enquanto ela te mostra para onde olhar
entre o lixo e as floradas,
há heróis nas algas marinhas
há crianças no amanhecer,
eles caminham para o amor
irão caminhar assim para sempre
enquanto Suzanne segura o espelho.

E você deseja viajar ao seu lado
você deseja viajar cegamente
e você está certo de que ela pode te encontrar
pois ela tocou seu corpo perfeito
com a sua mente.

poema e música de LEONARD COHEN
tradução de FERNANDO KOPROSKI
do livro
ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR

esgotadíssimo nas livrarias, agora só tem aqui:


quarta-feira, 30 de outubro de 2013


É claro, você só pode pirar com estilo, sendo estilo o seu jeito sincero. Se você tentar ficar famoso, não será famoso. Escrever é meio que um jeito de evitar que se enlouqueça. Você escreve porque é só isso que você sabe fazer. É isso ou se jogar da ponte. A fama vem como consequência, e não tem nada a ver, e se você acreditar nela, você está acabado como escritor e como ser humano.

AMOR É TUDO QUE NÓS DISSEMOS QUE NÃO ERA
Bukowski por Koproski


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A ESTRADA PERDIDA
(uns versos ao som de “perfect day” e “this magic moment”)

Quantos dias de verão cabem dentro de uma canção?
Não sabia que havia tantos espaços num coração
Não até ouvir essa canção, não até viver esse filme
Vim como protagonista e acabei um vigarista humilde

Depois de desapontar a plateia, fiz uma ponta
Como o herói de outra história, mas isso não conta
Já devia para ela mais que um coração
E paguei esse amor a duras penas com uma canção

E como havia dias de verão dentro de perfect day
E tantos dias perfeitos dentro do peito
Ah, nunca mais quero te ouvir, Sweet Jane
Nunca mais, os poemas me deram esse direito

Nosso momento mágico não foi perfeito
Havia depois da dor, vaidades e outras vontades
Havia despertadores, relógios, botões de alarmes
Pra te despertar de um amor ainda no meio

Havia flores trancafiadas em teu peito
E flores guardadas não duram muito tempo
Apenas o tempo de uma cerveja, sorriso, receio
O tempo de você voltar num momento perfeito

Fernando Koproski
28/10/2013

para o mestre Lou Reed... Lou, read it...


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Uma semana que começa com Echo and the bunnymen, só podia terminar assim: ouvindo discos antigos e lembrando dos amigos...

WHAT ARE YOU GOING TO DO WITH YOUR LIFE?

e mais uma vez o Ian me pergunta:
what are you going to do with your life?
até quando vão me pôr nessa sinuca?
Ian, quando você vai me deixar em paz?

escuto aquela música mais uma vez
ouvi ela pela primeira vez em 1999
agora não há mais sonho, insensatez,
amigos, amores, nada que comove

achei beleza e verdade na juventude
sonhei e amei como as aves se movem
e hoje, longe o máximo que eu pude
de mim mesmo, nada mais me devolve

nunca mais vou ser aquele outra vez
só posso culpar e desculpar a própria vida
penso em viajar até onde o mar me fez
mas com medo de atravessar a avenida

e mais uma vez o Ian me pergunta:
what are you going to do with your life?
até quando vão me pôr nessa sinuca?
Ian, quando você vai me deixar em paz?

um poeta em pé de guerra só pede paz
e eu ando devagar dentro dessa canção
what are you going to do with your life?
e me diz, o que eu faço com teu coração?

Fernando Koproski
25/10/2013
Para Rod, Jeff, Ana Paula, Dani, Cinthia e Renatão

Marty McFly
(Para Alexandre França)

De volta pro futuro nosso
Você quer isso mesmo, Marty?
O que fazer dos abraços
Cada vez que você parte?

O que fazer das amizades?
O que fazer dos novos passos?
Cada vez que o céu se abre
No futuro, eu faço ou não faço?

Ardo antes que seja tarde?
Ou só volto pra mais um aparte?
De volta pro futuro, só na arte...
Você quer isso mesmo, Marty?


Fernando Koproski


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

esse poema do Buk é emblemático! eu e o França fazíamos ele ao vivo assim:
http://fernandokoproski.bandcamp.com/track/o-bluebird

O BLUEBIRD

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu sou mais forte que ele,
eu falo, fica aí dentro, eu não vou
deixar ninguém
te ver.

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu taco uísque nele e respiro
fumaça de cigarro
e as putas e os barmen
e as caixas de mercado
nunca sabem que
ele está
aqui dentro.

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu sou mais forte que ele,
eu falo,
fica na tua, você quer me pôr
em apuros?
você quer sacanear a minha
obra?
acabar com a minha venda de livros na
Europa?

em meu coração tem um pássaro
que quer sair
mas eu sou mais esperto, só deixo ele sair
de noite, às vezes
quando todos estão dormindo.
eu falo, sei que você está aí,
então não fique
triste.

daí o ponho de volta,
mas ele ainda canta um pouco
aqui dentro, eu não o deixei morrer
totalmente
e a gente dorme junto desse
jeito
com nosso
pacto secreto
e isso é bem capaz de
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, você
chora?

Bukowski
por Koproski
ESSA LOUCURA ROUBADA QUE NÃO DESEJO A NINGUÉM A NÃO SER A MIM MESMO AMÉM


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

TWO-FACED BOOK

Aqui não escreve quem traduz
Esse verso não soma ao que sou
Fiz do verso: sangue, e da linha: luz
Mas ainda não sei o que é amor

Já despedacei as asas do beija-flor
Pra te fazer brisa, liguei o liquidificador
E acabei enchendo as pétalas de pus
Mas ainda não cansei de fazer blues

Ainda estou à tua espera, minha pianista
Tenho um olho verde e o outro azul
Metade do rosto negro e metade dourado
E ainda trago um coração encouraçado

Se olhar de perto, será que você me traduz?
Ou você hoje está longe demais, me diga...
Você já está em outra praia, outro estado?
Quando é que teus olhos verdes, pianista,

Vão olhar pra mim, deixar de olhar pro lado?
Teus cabelos negros já estiveram avermelhados,
Loiros, azuis, mas nunca estiveram equivocados
E quanto a mim, estou aqui, pronto pra navegar:

Nesse olhar e na maré de teus olhos: emaranhado.

Fernando Koproski
21/outubro/2013



Adoro essa música do Echo and the Bunnymen e acabei traduzindo a letra. Dedico ela aos meus amigos, homens-coelhos...

A FONTE

Adormeci ao pé do Monte.
Dos rios que atravessamos,
Eu sonhei com a fonte
E a moeda que atiramos.

Agora só estou contando
Os sonhos perdidos na curva
Uma moeda na fonte
É só isso que custa?
Só isso mesmo que custa?

Eu vou como os oceanos vão
Engoli marés em alto-mar
Enterrei aquela emoção
Que não consegui libertar

Bebi cada uma das poções
De A até a mim
E isso foi devoção
Será que aquele era eu?
Eu mesmo, no fim?

Que jeito de desperdiçar seus desejos
Trocando “alguma coisa” por “de alguma forma”
O que eu não daria pra provar seus beijos,
Ah, sim
Aqui e agora, aqui e agora,
Aqui e agora, você está me ouvindo agora?

Será que haverá trovão?
O raio fará jus?
Vou me ajoelhar em admiração
Num túnel de luz?

Será que vou me abater?
E desistir da luta onde fosse
Quando for a minha vez
De ser chamado de noite
Chame de noite...

Chorei até a fonte secar
Escalei a montanha mais alta
Aleluia... Aleluia...
Até te encontrar

Letra: Ian McCulloch
Gravada por Echo and the Bunnymen no Cd “The Fountain”

Tradução/versão brasileira: Fernando Koproski