terça-feira, 7 de março de 2017

Leonard Cohen na revista ROLLING STONE
A Mil Beijos de Profundidade
Leonard Cohen7Letras

Rolling  Stone:
Avaliação: ✶✶✶✶✶ CLÁSSICO

por Maurício Duarte
23 de Fevereiro de 2017

Esta segunda coletânea bilíngue de poemas e letras de canções de Leonard Cohen segue o mesmo rigor da primeira, publicada em 2007, cuja seleção e tradução também ficaram a cargo do poeta Fernando Koproski. A amostra é significativa tanto em qualidade quanto em quantidade e reafirma o que todos já sabemos: que os versos do compositor e escritor são capazes de atingir alturas pouco frequentadas pelos meros mortais. O cerne da obra de Cohen está aqui – uma espiritualidade sensual, a subversão do sagrado e o deslumbramento opressivo diante da beleza do mundo e das mulheres, tudo o que de melhor o artista soube explicar para nós, com seu jeito refinado e cheio de classe. Infelizmente, ele foi mais um dos gigantes a deixar este plano terreno em 2016, aos 82 anos, logo após lançar o disco de inéditas You Want It Darker. A edição brasileira deste livro vem para nos lembrar de que o Cohen escritor teve a mesma estatura do músico, e de que ambos se complementavam de maneira exemplar.

A MIL BEIJOS DE PROFUNDIDADE
http://www.livrariascuritiba.com.br/mil-beijos-de-profundidade-a-aut-paranaense-lv409219/p
ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR
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sábado, 4 de fevereiro de 2017

Lançamento de livros de Leonard Cohen reúne boa parte de sua produção poética
Reedição de duas obras traz seleção de versos aprovados pelo próprio músico

JORNAL O GLOBO
por Mariana Filgueiras
04/02/2017 4:30
RIO — No início de outubro de 2016, quando o músico Bob Dylan virou assunto no mundo inteiro por ter ganhado o prêmio Nobel de Literatura, sendo o primeiro compositor a receber o mais nobre galardão literário, foi Leonard Cohen quem escalou as melhores palavras para comentar o feito: “É como laurear o Everest por ser a montanha mais alta da Terra”.

Declaração que só podia vir de um Monte Fuji como ele. Tão imenso nas letras quanto nas canções, Cohen morreu um mês depois, em novembro, deixando além de toda trajetória musical, que é a parte de sua carreira mais conhecida, uma prateleira inteira de livros publicados — dois romances e 10 volumes de poesias, ou, como ele preferia contar, “uns vinte mil versos”.

Parte deste montante acaba de ser publicada no Brasil, em duas edições bilíngues com organização do também poeta e tradutor Fernando Koproski. Uma delas é a reedição de Atrás das linhas inimigas de meu amor, esgotada desde 2006, com poesias publicadas por Cohen entre 1956 e 1993, em seleção aprovada pelo próprio poeta.

E a segunda, A mil beijos de profundidade, com poemas escolhidos do último livro do autor, “A book of longing” (2006), que inclui ainda canções em tradução inédita — como “Thousand kisses deep”, música que batiza o livro.

— A minha ideia desde Atrás das linhas inimigas de meu amor, a primeira antologia que organizei e traduzi, era de apresentar um panorama da obra poética do Leonard Cohen, mostrando poemas representativos das diferentes fases e livros do autor. Há poemas sobre o amor, o tempo, o horror, o sagrado, o profano, a beleza, o desejo, as perdas. Como já havia trabalhado com os oito livros de poemas na primeira antologia, era certo que nessa nova coletânea daria um enfoque especial ao seu último livro, “Book of longing”. Inclui ainda algumas canções que sobrevivem como poemas mesmo sem a melodia — diz Fernando, em conversa com o GLOBO, sobre o mergulho na obra de Cohen, listando “So long, Marianne”, “Famous blue raincoat” e “I’m your man”, três dos seus clássicos.

SACANA E ERÓTICO

Se na primeira coletânea o organizador conseguiu que o próprio Cohen aprovasse sua seleção, não teve sorte com a segunda: por muito pouco A mil beijos de profundidade não ficou pronta antes da morte do músico, aos 82 anos, no dia 7 de novembro de 2016, depois de uma queda durante o sono, em Montreal.

— Foi uma pena. Ele gostava de acompanhar os seus poemas se recriando e habitando novos idiomas e culturas. Quando você lê a biografia da Sylvie Simmons, “I’m your man”, ou a biografia do Ira Nadel, “A life in art”, que também é muito boa, percebe como influenciou milhares de pessoas, de Kurt Cobain a Nick Cave. Ele começou a publicar literatura em 1956, começou a gravar discos no final de década de 1960 e manteve essas duas atividades por muitos anos, influenciando diferentes gerações de leitores em dezenas e mais dezenas de países. É impressionante como há histórias de pessoas que tiveram contato com sua generosidade, gentileza, intelectualidade ou espiritualidade cativante e criaram produtos a partir deste contato. Eu mesmo não saí ileso dessa experiência... — conta Fernando, que depois de traduzi-lo, escreveu o livro Retrato do artista quando primavera, publicado em 2014, inspirado em sua obra.

Quem lê os dois tomos na sequência percebe que Cohen vai ficando mais sacana e erótico com o tempo. Um humor sutil, contido nos poemas que abordam relacionamentos, como os que escreveu ao longo dos cinco anos em que viveu recluso no mosteiro budista de Mount Baldy, e que estão em “A mil beijos de profundidade”. Um deles é “A névoa da pornografia” (“quando você saiu da névoa da pornografia/ com seu papo de casamento e orgias/ eu era apenas um garoto de cinquenta e sete/ tentando fazer uma manobra rápida/ numa via lenta/ para mover meus lábios/ naquele lugar que não pega sol”). Outro bom exemplo é “O zen em colapso” (leia ao lado), como observa o organizador:

— São poemas que tratam da espiritualidade e ressaltam a condição humana de forma extrema, mostrando a humildade e a simplicidade da situação em que vivia na época, mas com um erotismo despudorado, bem-humorado. Há um Leonard Cohen inteiro a ser descoberto nesses poemas. Não vejo um outro artista que tenha desenvolvido uma lírica com essa grandeza ou uma trajetória similar nos campos da música e nos quadros de literatura inglesa dos últimos 60 anos.

A MIL BEIJOS DE PROFUNDIDADE
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ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

LEONARD COHEN no GLOBONEWS LITERATURA
video
A MIL BEIJOS DE PROFUNDIDADE antologia poética de LEONARD COHEN
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ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR  antologia poética de LEONARD COHEN
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domingo, 22 de janeiro de 2017

Hoje chego aos 44 (do primeiro tempo, eu espero...) e lembro o poema "Perdendo as medidas" do livro "A teoria do romance na prática". Será que já estou velho o bastante para perder as medidas? Como dizia o Leonard Cohen: "Eu deveria viajar sozinho entre os pinheiros. Eu deveria me controlar. Meu deus como sua pele é macia e dourada. Eu poderia vender os túmulos de minha família. Sou velho o bastante para isso. Sou velho o bastante para ser arruinado". rsrs... Penso nisso. Escuto os solos do Eddie Van Halen em "dreams" (https://www.youtube.com/watch?v=zsXCs41DkWs). Olho minhas felinas e filhocães que ignoram qualquer uma dessas considerações... Eles encontram a resposta de forma natural, têm a sabedoria "à flor dos pelos...", e mais uma vez acabo encerrando a discussão com o velho Buk: "o que vale mais
é o teu talento
pra atravessar o
fogo"

Agradeço aos meus amigos, minha mãe e irmãs por terem me suportado por tanto tempo... Agradeço à Ingrid, por suportar o meu pior e melhor, diariamente! E entre um solo e outro do Eddie (https://www.youtube.com/watch?v=JgxA3C52jqc), posto o poema com fotos de nosso dia a dia. Uma foto para cada estrofe do poema. Espero que vocês, meus amigos, se divirtam assim como eu me divirto e aprendo diariamente com esses meus filhos... abraços, fk
poema "Perdendo as medidas": Fernando Koproski 
do livro A TEORIA DO ROMANCE NA PRÁTICA (livro 3 da série “A complicada beleza”) Editora 7Letras
http://www.livrariascuritiba.com.br/teoria-do-romance-na-pratica-a-aut-paranaense-lv395565/p
NARCISO PARA MATAR (livro 1 da série “A complicada beleza”) Editora 7Letras
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CRÔNICA DE UM AMOR MORTO (livro 2 da série “A complicada beleza”) Editora 7Letras
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Leonard Cohen: o artesão da palavra
Nova coletânea do canadense Leonard Cohen, 'A Mil Beijos de Profundidade' revela as várias facetas do poeta.
20/01/2017

 A morte de Leonard Cohen (1934 – 2016) em novembro pegou a todos de surpresa. O cantor, compositor, prosador e poeta canadense acabara de lançar o disco You Want it Darker, que acabou se revelando um verdadeiro e belo canto do cisne. Seu último livro publicado foi Book of longing, de 2006, no qual faz uma reflexão emocionante e crítica sobre sua carreira como músico e como poeta. E são justamente os poemas dessa obra que compõem, em grande parte, a coletânea A Mil Beijos de Profundidade (7Letras, 182 páginas), organizada pelo poeta e tradutor curitibano Fernando Koproski, responsável também pelo primeiro volume poético de Cohen, Atrás das Linhas Inimigas do Meu Amor – que chega agora à sua segunda edição.

Alguns dos poemas são bem conhecidos: “Chelsea Hotel #2”, “So long, Marianne”, “Hey, that’s no way to say goodbye”, “I’m your man”, “Hallelujah” e outros. Todos eles se transformaram em canções imortalizadas pelo próprio Cohen e por uma miríade de intérpretes – de Renato Russo à Lana del Rey. De versos conhecidos a poesias confessionais, Leonard se mostrou um artesão da palavra, capaz de esculpir versos por décadas. Uma anedota contada por Sylvie Simmons, sua biógrafa, relata um encontro entre Dylan e Cohen, por volta de 1985. O compositor norte-americano – trinta anos antes de seu Nobel – pergunta a Leonard quanto ele levou para escrever “Hallelujah”, que envergonhado responde apenas: “não demorou muito, apenas alguns anos”. Quatro anos, na verdade. O embaraço fazia sentido: Dylan revelara que havia precisado de 15 minutos no banco de um táxi para criar “I & I”.

De versos conhecidos a poesias confessionais, Leonard se mostrou um artesão da palavra, capaz de esculpir versos por décadas.

Todo esse rigor fica muito claro nas linhas esculpidas de “Vai livrinho” (“Go little book): “Vai livrinho/ E se esconda/ E tenha vergonha/ De sua irrelevância”. Ou no poema que dá título para o livro e ganhou sua versão musical no álbum Ten New Songs (2001), um mantra sobre a paixão e a devoção quase religiosa de Cohen pela mulher amada. Como Koproski explica na apresentação, A Mil Beijos de Profundidade reúne as muitas personas acompanharam Leonard por toda a sua vida: o monge zen budista, o conquistador born in a suit, o silencioso, o compositor e o diplomático. Ele transitou entre todas as formas possíveis, quebrou convenções, estabeleceu padrões e, acima de tudo, foi um grande devoto da beleza.

“Se isso parece com um poema/ também posso te avisar desde o início/ que não era pra ser./ Não quero transformar qualquer coisa em poesia”, adverte em “A Canção do corno”. Por ironia, ou não, Cohen foi um verdadeiro exímio fazedor, fazendo poesia do sublime e do banal – imortalizando sua relação com o divino e também sua paixão por mulheres avassaladoras. E tudo isso, com uma elegância que se tornaria uma espécie de epígrafe do autor.

Cinza

Pensar em Leonard Cohen é refletir sobre o valor do verso, sobre a potência da poesia e a importância do fazer poético. Dizia que a poesia era uma evidência da vida: “se tua vida alimenta o fogo, a poesia é só a cinza”. No entanto, essa mesma cinza é sagrada, como uma cremação, e é jogada ao mundo pelo poeta. É com o vento que ela ganha asas e alimenta, retroalimenta a vida, e se transformando na lenha que serve de combustível para o fogo.

Por isso, A Mil Beijos de Profundidade é tão importante, criando – mesmo que por uma coincidência macabra – um belíssimo tributo a um homem que viveu cada dia de sua vida pela e para a arte.


A MIL BEIJOS DE PROFUNDIDADE
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017


JORNAL DO COMERCIO - PERNAMBUCO

As letras e poesia de Leonard Cohen em traduções
Dois livros mostram a criação literária do músico, morto em novembro do ano passado

Publicado em 11/01/2017, às 06h12

Leonard Cohen foi um dos músicos mais celebrados por suas letras
Reprodução


Uma das grandes notícias literárias de 2016 teve como protagonista um músico – o Nobel da Literatura para Bob Dylan. Não é coincidência que o melhor comentário sobre o assunto também veio de outro gigante musical, o cantor e compositor canadense Leonard Cohen, que viria a falecer menos de um mês depois da notícia: ao falar sobre a premiação, disse que o gesto da Academia Sueca era como “dar uma medalha ao Monte Everest por ser a montanha mais alta do mundo”.

Cohen talvez fosse uma das poucas estrelas que poderia se equiparar, em letras e escritos, ao novo Nobel. Felizmente, não é caso de tentar definir se ele seria uma montanha maior ou menor que Dylan, mas de reconhecer a monumentalidade das duas obras. O próprio Cohen fala disso em um poema: “Alguns homens/ deveriam ter montanhas/ para levar o seu nome através do tempo”.

Dois volumes com antologias de letras e poemas de Cohen, lançados agora pela Editora 7Letras, são uma bela amostra da poética do músico de voz cavernosa. Já publicado anteriormente, Atrás das Linhas Inimigas de Meu Amor foi reeditado e ganhou a companhia do volume A Mil Beijos de Profundidade – os dois saem em edição bilíngue com tradução e seleção do poeta e escritor Fernando Koproski. Os volumes, é bom ressaltar, já estavam planejados antes da morte de Cohen.

Sem a presença da voz marcante ou das melodias, é difícil deixar passar (como se a mera audição já não deixasse isso aparente) a beleza dos versos de Cohen. Um breve olhar sobre a vida dele atesta a importância das palavras: desde o colégio, antes mesmo de começar uma carreira musical, ele investiu no ofício da escrita. Já aos 22 anos tinha ganhando um concurso de versos, publicava em revistas literárias e lançava o seu primeiro livro de poesia, Let Us Compare Mythologies (1956). Na obra seguinte, The Spice-Box of Earth (1961), começaria a chamar a atenção da crítica canadense, que o chamaria de “provavelmente o melhor jovem poeta do Canadá inglês da atualidade”. Até o seu último livro, The Book of Longing (2006), publicou dois romances e mais seis volumes de poesia, levando em 2011 uma das grandes premiações literárias internacionais, o Prêmio Príncipe das Astúrias.

Os versos de Cohen são a origem e a extensão de sua música: são alimentados por imagens da mesma natureza, são feitos das mesmas obsessões, soam, como já disse Bob Dylan sobre a música do colega, cada vez mais como orações. Falam sobre o amor, o tempo, o horror, o sagrado, o profano, o belo, o desejo, as perdas e a permanência, como elenca Fernando Koproski na apresentação de Atrás das Linhas Inimigas do Meu Amor.

O músico canadense, ao falar da sua poesia, a descreveu como uma “evidência da vida”. “Se a tua vida alimenta o fogo, a poesia é só a cinza”, afirmou. Para o tradutor, é preciso entender que os versos de Cohen são bem mais do que isso, são, no mínimo, “cinzas luminosas”, incandescentes em suas palavras.

LETRA E POEMA

Além de textos restritos ao papel, em várias dessas obras, suas canções apareceram como poemas independentes, antes ou depois de serem gravados. Segundo Fernando, não é uma casualidade. “Isso porque elas também são poemas, visto que se comportam como poemas. (...) Sim, as canções pensam, agem e sentem como poemas, elas sobretudo falam como poemas. E, da minha parte, não poderia traduzi-las, nem imaginá-las de outra forma, a não ser como os grandes poemas que são”, explica no prefácio de A Mil Beijos de Profundidade.

Fernando teve uma missão difícil: se é preciso manter as imagens, as rimas, o ritmo e a fluência nos poemas, nas canções o desafio é ainda maior. As letras ficam incrustadas na mente do ouvinte, e qualquer mínima alteração de sentido (obrigatória na tradução de versos, que é sempre uma reescrita) pode soar estranha. Mas como é bom ler também, em Até Mais, Marianne, “teu corpo está em casa em qualquer oceano” ou “há uma luz nua em cada palavra”, trecho de Aleluia.

De alguma forma, em letra ou poesia, Cohen tem uma poética única, profunda, que permanece em imagens depois de ser lida ou ouvida. Fernando a define como uma “lírica imprescindível, sofisticada e de grandeza única”. Em um trecho de Outro Poeta, o compositor de Hallelujah diz: “Outro poeta terá que dizer/ o quanto eu te amo”. Não, foi Cohen quem soube, de alguma forma, escrever, e cantar esse amor – sombrio, irônico, erótico, transcendente – que tantas outras pessoas sentiram e ainda vão sentir.

TRADUÇÃO

Títulos

Tive o título de Poeta
e talvez eu fosse um
por um tempo
O título de Cantor também
estava bem de acordo comigo
embora
eu mal conseguisse sustentar o tom
Por muitos anos
fui conhecido como Monge
eu raspava a cabeça e usava um manto
e acordava bem cedo
Eu odiava todo mundo
mas agia com generosidade
e ninguém me descobriu
Minha reputação
como Sedutor era uma piada
Ela me fez rir amargamente
durantes as dez mil noites
que eu passei sozinho
(...)


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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/12/1846023-ligacao-entre-letra-de-musica-e-poema-e-radical-em-antologia-de-cohen.shtml

Ligação entre letra de música e poema é radical em antologia de Cohen

LEONARDO GANDOLFI
ESPECIAL PARA A FOLHA DE SÃO PAULO
31/12/2016  02h42

"A Mil Beijos de Profundidade" traz os versos de Leonard Cohen em tradução e seleção de Fernando Koproski. É a segunda vez que o curitibano traduz Cohen, a primeira foi em 2007 na coletânea "Atrás das Linhas Inimigas de meu Amor" (7Letras).

A nova antologia tem dois núcleos. O primeiro é dedicado às canções-poemas, numa reunião de hits, com versões que não estão longe da fluidez do texto em inglês.

Já o segundo núcleo traz textos publicados em "Book of Longing", último livro do músico. Como as canções, os poemas escolhidos por Koproski ligam-se especialmente ao campo amoroso, aqui vasto e com muitos desdobramentos, entre eles, um autorreflexivo.

O poema "Outros Escritores" leva essa autorreflexão longe, porque nele o poeta se compara ao amigo Roshi, mestre zen que o acolheu durante anos em um mosteiro. É justamente depois desse paralelo com a vida monástica que surge no texto uma "jovem generosa" cujo zíper aberto da calça faz com que Cohen encoste diretamente na "fonte da vida".

Partindo ainda desse tom autorreflexivo, páginas depois leem-se versos assim: "No caminho da solidão/ Cheguei onde mora a canção/ e lá permaneci/ metade da minha vida". Certos poemas funcionam também como espaço de meditação sobre as canções, mas isso ocorre, é claro, sem hierarquia entre gêneros.

Nesse sentido, os dois trechos a seguir são uma boa ocasião para Cohen abordar como música e poesia se confundem na personagem do autor: "Tive o título de Poeta/ e talvez eu fosse um/ por um tempo". Mas, na sequência, é possível ver que etiquetas são provisórias e mudam como máscaras: "O título de Cantor também/ estava bem de acordo comigo/ embora/ eu mal conseguisse sustentar o tom".

O certo é que, aliando ironia a um misto de humildade e elegância, sua obra segue no encalço da beleza, podendo, com isso, desembocar numa consciência do malogro: "Meu tempo está acabando/ e eu ainda/ não cantei/ a verdadeira canção/ a grande canção".

Que o leitor não se deixe levar inteiramente por essa modéstia, pois Cohen teve verdadeiros e grandes momentos não só com sua "voz de ouro", mas também no silêncio dos poemas. Alguns deles estão na antologia.

Quanto à tradução, às vezes Koproski tem soluções felizes, às vezes, discutíveis. E isso faz parte do desafio que é traduzir boa poesia. Ainda mais quando se trata da confluência radical entre poema e letra de música.

Por falar em radicalidade, que bom encontrar os célebres versos de Cohen em que o rei Davi busca os acordes perfeitos de uma melodia impossível. Poucos foram capazes de um belo malogro como este: "Começa assim: a quarta, a quinta/ Uma nota desce, outra sobe, sinta/ Como o rei se complica compondo Aleluia!". 

A MIL BEIJOS DE PROFUNDIDADE 
Avaliação: ✶✶✶✶ Muito bom
AUTOR Leonard Cohen
TRADUÇÃO Fernando Koproski
EDITORA 7Letras
QUANTO R$ 45 (184 págs.)

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ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS DE MEU AMOR
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